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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O que mudou nos media, em 50 anos...

A Visão  do grupo Impresa, do senhor Balsemão, está prestes a ser dispensada a quem der mais, por ausência de viabilidade económica e continua a prendar-nos com este jornalismo atávico aprendido nas madrassas dos cursos de comunicação social:



Há 50 nos houve uma tragédia em Portugal. Uma tromba de água, um dilúvio abateu-se sobre uma região e ceifou centenas de pessoas indefesas, nas suas casas, muitas delas barracas construídas em locais que não o deveriam ter sido.

Não eram clandestinas porque a clandestinidade, nesse tempo, era reservada aos que ansiavam pelos "amanhãs a cantar" e que pululavam nos jornais de então, numa actividade subterrânea de oposição ao regime.
Muitas dessas barracas perduraram e proliferaram como cogumelos na humidade até ao dealbar do séc. XXI e não é seguro que tenham sido todas erradicadas ou modificadas as condições de vida, actualmente, em certos bairros problemáticos da periferia de Lisboa e Porto.

Portugal em 1967 era o que era e não se deve imputar ao regime o que os regimes só com muita dificuldade conseguem gerir ou dominar, no circunstancialismo do tempo em que vigoram.   A construção clandestina que passou  existir depois de se terem estabelecido as regras urbanísticas que tal conceito definiu não parou com o regime de Salazar/Caetano porque a pobreza nacional não parou desde então. Antes pelo contrário, terá aumentado relativamente, o que nem paradoxo é, uma vez que o actual regime empobreceu mais o povo português do que o anterior, se tivesse continuado, o faria.  

Perante a dimensão extraordinária da catástrofe a imprensa da época, em que a tv ainda tinha hora marcada em estúdio para dar notícias e os rádios idem, aspas, publicaram logo no dia seguinte e a seguir várias fotos da catástrofe.
Fotos, diga-se a propósito, que hoje nunca seriam publicadas, como é o caso da capa eventualmente censurada, conforme agora se aprestam a dizer os alunos daquelas madrassas,  do Século Ilustrado de 5 de Dezembro desse ano de 1967 e aqui já mostrada.

No entanto, na altura era caso de censura como proclamam os alunos das madrassas do jornalismo actual. Agora,  é caso de idiossincrasia politicamente correcta. Pode chocar as pessoas...
Contudo e curiosamente era exactamente esse o motivo porque a Censura da época não deixava publicar certas fotos ou notícias da tragédia, para não chocar demasiado a sensibilidade comum.
Os alunos das madrassas do jornalismo caseiro entendem, porém, o fenómeno de outro modo: a Censura de então destinava-se apenas a esconder do povo as condições em que o regime colocara esse mesmo povo, um regime maligno portanto e incentivador de uma ignorância criminosa que hoje entendem não existir, porque haverá liberdade de expressão completa e irrestrita.

Enganam-se, porém, os alunos destas madrassas. Há uma diferença de vulto entre a Censura de ontem e o que hoje sucede, com o mesmíssimo efeito prático: o politicamente correcto, na época, cingia-se a um bom senso comum que todos entendiam menos os que pretendiam desestabilizar politicamente o regime. Hoje, alarga-se a conceitos estranhos a esse bom senso e pauta-se pela ideologia pervasiva  e estrangeirada do que parece bem e vai fazendo carreira segundo os cânones enunciados nos media pelo método gramsciano: aos poucos se vai fazendo o caminho que se pretende, sempre para a esquerda, claro está. Sempre para o lado do combate permanente à "burguesia" e em prol de outras classes, como a dos artistas, de circo, comédia e outras disciplinas.

Paradoxalmente ou talvez não reclama-se hoje em dia por um "direito à verdade" que os media escondem.

Leia-se este pequeno artigo de um dos principais mentores das verdades alternativas que são ensinadas nas tais madrassas e reinam nas redacções do autor, dono da Impresa. Foi publicado hoje no Jornal de Negócios que celebra os 20 anos:



Quem lê isto até pode ser levado a acreditar que o autor, o inefável Balsemão é um apóstolo da verdade pura no jornalismo formado em madrassas, escrevendo despudoradamente que "cada vez mais pessoas em Portugal e no mundo inteiro, se consideram informadas apenas pelo que recebem via redes sociais. Entre gostos e partilhas, propagam informação, sem muitas vezes perceber que aquilo que tomam como verdade é, na realidade, mentira."

Ou seja, o maior propagandista de certas mentiras institucionalizadas, acrítico de certas políticas públicas e opções estratégicas portuguesas dos últimos anos é um defensor da verdade que se pode conhecer através da informação.
Esta é a maior mentira do artigo. Balsemão não suporta a verdade, desde sempre que leio as publicações que edita. Suporta sim a verdade conveniente aos seus interesses que confunde com os do país.
Os seus jornais e principalmente a SIC ou a TSF, não separam o trigo do joio em certas questões e se a afirmação é injusta em relação a tudo ( o Expresso publicou tabalhos notáveis sobre os incêndios deste Verão, por exemplo), é certeira, no meu ponto de vista,no essencial: as pessoas que lêem, ouvem e vêem os media do patrão da Impresa, ficariam muito mal informadas se apenas tivessem essas fontes informativas.

A Censura que as publicações da Impresa pratica não é aquela que existia no tempo em que o Expresso surgiu e que cortava estupidamente partes de artigos com menção explícita à mudança do regime ou a algo que o colocasse seriamente em causa. É outra e mais insidiosa: esconde a verdade sobre certas matérias que vou enunciar sumariamente:

O Expresso não contou nunca a verdade sobre o regime de Marcello Caetano, obliterou sempre a factualidade existente e adulterou sempre a realidade sociológica existente na época. Compare-se com a revista Observador, existente até 1973, altura em que o Expresso surgiu e que é o melhor espelho do marcelismo, incluindo as dificuldades em sair de um regime de controlo da liberdade, como de facto existia.
O Expresso que saiu depois da "Revolução de Abril" combateu a tentativa de tomada de poder pelos comunistas mas contribuiu muito para essa mesma tentativa, ao não denunciar claramente e desde antes do 25 de Abril a natureza perversa do comunismo, com todas as letras carregadas. Preferiu sempre as meias tintas, apanágio do então director, hoje presidente da República.
A verdade foi escondida, neste caso muito importante da nossa realidade histórica. O Expresso de Balsemão preferiu sempre a "pós-verdade", neste caso. A prova desta afirmação reside neste blog nos postais que escrevi sobre isso, com os documentos-recortes do próprio Expresso.

Sobre a SIC actual e pregressa nem vale a pena falar porque só cito a jornalista Lourença, o exemplo mais acabado de manipulação subtil da informação em prol de um projecto político de uma esquerda difusa. O que a mesma fez durante o consulado de um vigarista que governou o país durante anos é uma prova esmagadora dessa manipulação. Uma vez, entrevistando o dito, comentou que a campanha que o atingia, na altura do Freeport, era uma "campanha negra", subscrevendo assim todos os argumentos dos que defendiam acritica e acefalamente tal vigarista. E digo vigarista porque se prova que é pessoa que por várias vezes enganou, claramente e sem refutação possível,  muita gente durante algum tempo.
Estes são dois exemplos que poderia replicar por dezenas deles, alguns expostos neste blog.

O papel do tal Balsemão, nisto tudo? Lavar as mãos e esperar que os bolsos estejam cheios...

São isto jornalistas?! É esta a verdade que propõem?

Podem ir dar banho ao cão, se o tiverem. 

E até acrescento uma coisa: havia mais verdade na informação anterior ao 25 de Abril de 1974 do que depois. E tal é comprovável, com uma única excepção: tudo o que dizia respeito à esquerda comunista e socialista era escondido e censurado. Isso sim. Mas essa verdade não estava escondida, mas sim claramente exposta na lei e das regras da censura: era proibido publicitar actividades subversivas. O que pretendia então o PCP? O mesmo que hoje, tomar o poder eventualmente pela via revolucionária se as condições fossem propícias.
O regime defendia-se disso, como se defenderam outros países, como a Alemanha dos anos 50 que proibiu o Partido durante algum tempo. E a Inglaterra e os EUA e outros.  O PCP era proibido por cá e em coerência não havia propaganda publica ao mesmo. Teriam feito o mesmo aos "fascistas", mas nem isso reconhecem como coerência. Conseguiram meter na Constituição de 1976 uma noção de proibição de organizações fascistas sem as definirem. Serão portanto aquelas que eles disserem que são...isto é democracia verdadeira? Há alguma diferença entre esta proibição e a do PCP, antes do 255 de Abril?
Em Portugal se alguém disser na tv que é comunista tal é respeitado como sinal de bom tom. Se disser que é fascista, é preso e não apenas simbolicamente. Este é um pequeno exemplo do significado de "amplas liberdades"...

Portanto, quando digo verdade é mesmo isso: as pessoas sabiam a verdade sobre a guerra no Ultramar porque lhes era contada pelos próximos que para lá iam. Não precisavam de correios da manhã a mostrar cadáveres arrebentados por minas.  Sabiam a verdade sobre a política do país e dos interesses que publicamente eram defendidos porque o grau de honestidade dos governantes era incomparavelmente superior e não havia quem quisesse tomar conta de bancos ou de empresas de comunicação ou mesmo de outro género para alimentar uma clique como hoje em dia existem e são escondidas pelos media, com os jornalistas formados nas madrassas a colaborarem nessa farsa.

A verdade que interessava verdadeiramente ao país, todos a conheciam. Depois de 25 de Abril de 1974 deixaram de conhecer. O PCP despachou para Moscovo caixotes e caixotes de documentos da PIDE/DGS. Pois nunca alguém exigiu na AR, com suficiente autoridade a devolução de tais documentos. O PCP andou anos a fio a defender os interesses estrangeiros dos países comunistas, dizendo-se patriotas. Quem os denunciou? O Expresso do Balsemão?

Mais uma vez: vão dar banho a cão.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O jacobinismo anonimizado, como a ferrugem, nunca dorme.

 Observador:

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) rejeitou que fosse divulgado publicamente na íntegra o capítulo seis do relatório sobre a tragédia de Pedrógão Grande, realizado pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais. De acordo com o semanário Expresso, a CNPD “não autoriza a publicação ou divulgação pública integral do capítulo 6 do relatório intitulado ‘O Complexo de Incêndios de Pedrógão Grande e Concelhos Limítrofes, iniciado a 17 de junho de 2017’, na versão destinada a ser tornada pública”. Apenas os familiares das vítimas podem ter acesso ao documento na íntegra.
 A decisão foi tomada esta terça-feira em plenário. De acordo com o semanário, a direcção do organismo considera que, “apesar do esforço de anonimização” feito pelos autores do documento, ainda é possível “relacionar os factos e as situações descritas com as vítimas, testemunhas e sobreviventes, e com isso, identificar a quem dizem respeito”.

Perante esta palermice o que pode Associação de Vítimas fazer? Publicar a tal parte sobrante do relatório, declarando expressamente que concordam com tal ( obtendo declaração escrita dos representantes directos das vítimas) ou riscar os nomes dos envolvidos que o neguem...

Repare-se: num caso como este, a CNPD está preocupada com a "identidades das vítimas", como se isso fosse algo inadmissível, a respectiva divulgação, por violar as sacrossantas regras da legislação de protecção de dados. Vítimas que sofreram com o incêndio que têm de ser identificadas e publicamente conhecidas para beneficiarem de ajudas concretas do Estado, etc etc. Só não podem ser conhecidas do Correio da Manhã ou dos outros jornais e tv´s. Isso, nunca!

Quem criou este monstro politicamente correcto tem que o alimentar com as bolachas do costume. O ridículo não o mata...
Não se conhece o calibre destes juristas, mas dois são magistrados. 

Já agora ficam aqui os nomes desta CPND...

 Presidente
Maria Filipa Pires Urbano da Costa Calvão
Eleita pela Assembleia da República. Iniciou funções em 2012..


Vogais
João Filipe Monteiro Marques
Eleito pela Assembleia da República. Iniciou funções em 2014.
José Grazina Machado
Eleito pela Assembleia da República. Iniciou funções em 2017.
Maria Teresa Samuel Naia
Designada pelo Conselho Superior do Ministério Público. Iniciou funções em 2017.
Pedro Maria Cardoso Gonçalves Mourão
Designado pelo Conselho Superior de Magistratura. Iniciou funções em 2016.
Luís José Durão Barroso
Designado pelo Governo. Iniciou funções em 1994.
Maria Cândida Guedes de Oliveira
Designada pelo Governo. Iniciou funções em 2014.

De acordo com um postal daqui, toma-se conhecimento que um dos membros da CNPD é familiar de Durão Barroso, uma família muito prendada, pelos vistos e cuja identidade não está protegida...
 Anda por aí um espanto porque Luís, filho do José Manuel, foi ganhar a vida no Banco de Portugal.
Luís José Durão Barroso, tio deste sobrinho e por coincidência irmão do José Manuel, é desde Janeiro de 1994 Vogal da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Suponho que remunerado.


Sobre a presidenta da coisa em Comissão procurei no Google e um sítio de Góis apresenta um currículo detalhado com dados pessoais e tudo...( casa de ferreiro, o espeto só falta dizer de quem é filha ou sobrinha ou qual a ligação eondogâmica a estas coisas, porque é de supor que poderá existir)

Quanto à vice, indicada pelo Governo, é de Aveiro a sua deslocalização de adjunta do professorado local.

Procurei no sítio da CNPD a indicação da remuneração a que têm direito os seus membros. Omitiram. Razões? Suponho que serão da ordem das que a razão desconhece. A vergonha é uma delas? Talvez.

No entanto é possível verificar que a presidenta ganha como um director-geral, menos um poucochinho e mais as despesas de representação, integralmente. Os vogais, seguem-lhe as pisadas e por isso só ganham as tais despesas de representação. Que acumulam com outros vencimentos de função pública? Suponho que sim.

Enfim, um belíssimo ta...perdão, cargo, digno de um Estado como o nosso. À altura.

Para além disso, que dados é que estavam em causa no caso concreto? A identificação das vítimas do incêndio de Pedrógão, pelos vistos...e pouco mais que fosse relevante, para o caso.

Ora então vamos lá a ler o que diz a lei ( 67/98, de 26 de Outubro)

 Artigo 6.º
Condições de legitimidade do tratamento de dados

O tratamento de dados pessoais só pode ser efectuado se o seu titular tiver dado de forma inequívoca o seu consentimento ou se o tratamento for necessário para:
a) Execução de contrato ou contratos em que o titular dos dados seja parte ou de diligências prévias à formação do contrato ou declaração da vontade negocial efectuadas a seu pedido;
b) Cumprimento de obrigação legal a que o responsável pelo tratamento esteja sujeito;
c) Protecção de interesses vitais do titular dos dados, se este estiver física ou legalmente incapaz de dar o seu consentimento;
d) Execução de uma missão de interesse público ou no exercício de autoridade pública em que esteja investido o responsável pelo tratamento ou um terceiro a quem os dados sejam comunicados;
e) Prossecução de interesses legítimos do responsável pelo tratamento ou de terceiro a quem os dados sejam comunicados, desde que não devam prevalecer os interesses ou os direitos, liberdades e garantias do titular dos dados.

Como se pode ler, a própria lei autoriza a derrogação da proibição de divulgação de dados pessoais quando se tratar de "missão de interesse público".

O Relatório da Comissão Independente sobre o incêndio de Pedrógão não foi uma missão de interesse público? A sua divulgação, integrando que assumidamente é a parte mais importante de tal relatório e eventualmente onde se põe a nu as debilidades de alguns indivíduos que deixaram morrer mais de 60 pessoas, não é importante e justificativa de um interesse público muito maior do que o interesse particular, apenas presumido, dos que faleceram nesse mesmo incêndio? O que diriam os mortos se pudessem dizer alguma coisa, sobre esta decisão da CNPD?

Nem me atrevo a  adivinhar...

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Os fósseis andam aí...

Revista O Militante, Novembro/Dezembro de 2017. O tempo não passa para o PCP porque fossilizaram há décadas e décadas.




Como é que estas ideias fossilizadas ressurgem na actualidade? Através de um truque de prestidigitação política aqui explicado e que Lenine lhes ensinou: fazerem-se de mortos até que a ocasião ressurja. A esperança é sempre a última coisa a morrer, mesmo para os organismos fossilizados:


O "glorioso" impedido de ir à União Soviética por Salazar...

 

Conta o DN de ontem, rebuscando nos arquivos antigos matérias que lhes convêm, que Salazar proibiu o Benfica de viajar até à União Soviética em 1965.

A notícia tem algum interesse mas carece de contextualização e explicação que não são dadas inteiramente. A viajem do clube, nessa altura, era organizada por uma agência privada que se aprestou em pôr o carro à frente dos bois e o Diário de Notícias aceitou a boleia. Não houve censura na notícia e isso não é destaque na notícia de agora.
O destaque vai todo, inteirinho,  para a circunstância de o regime de Salazar ter proibido tal viagem  por motivos que poderiam ser explicados,  mas não são.
É dito que Portugal não tinha relações diplomáticas com a União Soviética, mas isso não é motivo suficiente para tal impedimento.
Portanto, o que fica da notícia, subjacente e mensagem implícita e gramsciana, é que Salazar proibiu o Benfica de ir a Moscovo, arbitrariamente e por motivos políticos e assim o clube ganhou asas de anjinho do desporto, alheio à política do regime. Essa mensagem é falsa mas é a corrente.

Outra contextualização que falta é a do panorama na então União Soviética quanto a intercâmbios culturais e desportivos. A ideia que passa é a de que a URSS era nesse aspecto um regime aberto e os ocidentais é que impediam o "estreitamento dos laços de cooperação". Nada mais falso, também e omitido na notícia do DN.

Por exemplo numa área que afeiçoo, a música popular, lembro-me muito bem de há 40 anos ter lido numa revista americana uma novidade absoluta, na época: a visita de um grupo de rock à URSS! A primeira visita de um grupo rock americano, em 1977, os Nitty Gritty Dirt Band de quem tenho os discos todos até 1977, precisamente. No vinil original e com o som que me lembro porque é um dos meus preferidos.

Assim, como contava então a Rolling Stone que comprei, guardei e folheei ao longo destes anos:


A história deste concerto na URSS pode ainda ser lida aqui. Particularmente interessante é esta passagem:

"The KGB tried to limit interaction with the youth and followed the band everywhere," Nitty Gritty Dirt Band member John McEuen remembers. "It was found out that they often held people for overnight questioning if they had spoken with the group.
"Wherever we played, even though it was illegal to stand up at a concert, the now musically liberated Soviets danced in the aisles. Our shows are still talked about to this day. It was nine years before another American band was allowed to perform in the Soviet Union, as the government saw how hungry for freedom the people were."
In Soviet Latvia's capital, Riga, John was approached by silenced Latvian rock pioneer Pits "Pete" Anderson, and found out that he was an American rockabilly fanatic... and they have been friends since."

O Diário de Notícias, da época, ou seja de 1977 já não era o de 1965. Mas este mesmo DN que vai buscar ao arquivo estas notícias poderia encadear outras com ela relacionadas: por exemplo as relativas ao ano de 1975, escassos dez anos depois daquela,  em que o nóbél Saramago dirigiu o jornal por interposto PCP e censurava notícias muito mais do que a Censura de Salazar fazia.

Por outro lado, nessa altura o mesmo nóbel defendia um regime que no país de origem, URSS tinha listas destas sobre a música popular de expressão ocidental:


Para quem não souber russo, aqui fica a tradução:


 O Diário de Notícias de Proença de Carvalho, ajudado pelo capital chinês ho ho ho, em vez de publicar aleivosias sobre o regime de Salazar, com propósitos ínvios e mesmo óbvios, deveria antes repristinar notícias em que os seus apaniguados pretendiam implantar um regime em Portugal semelhante ao que é apresentado...

Quem achar que a Censura de Salazar era pior que esta, atire a primeira pedra...

O essencial do nosso país

Sapo24:

O líder da CGTP disse hoje que se o salário mínimo nacional tivesse sido aumentado desde 1974, tendo em conta a inflação e a produtividade, atingiria no próximo ano 1.267,7 euros.


E seria  porventura superior se a ideologia esquerdista da CGTP, do PCP,  e também a do PS de então não tivessem destruído quase todo o tecido económico dos "monopólios" que existiam até ao 25 de Abril de 1974 e que aqui foi muito bem explicado, neste livro:




Este pateta, o "tenente Rosário Dias", um salafrário que já morreu, notabilizou-se por andar de pasta armada, à beira do maluco que governava, Vasco Gonçalves a expoliar literalmente os "milionários" das suas propriedades, para as "devolver ao povo"...foi a estes espécimes que estivemos entregues durante os meses do PREC.

Em meia dúzia de imagens pode fazer-se o relato trágico do destino de Portugal nos últimos 43 anos através da simbologia que carregam e dos factos que se relacionaram:



 A ideia esquerdista de destruição do sistema capitalista que tínhamos, com todas as imperfeições,  acabou de vez com as nossas taxas de crescimento de então que nunca mais foram sequer alcançadas de modo coerente e profícuo, juntamente com outros elementos da economia ( confiança, sobretudo e equilíbrio de contas orçamentais e dívida externa).

No 25 de Abril de 1974 que se prolongou durante um ano, estas pessoas que figuram no currículo da nossa história trágica, foram protagonistas da maior revolução que sofremos nos últimos decénios e que abrangem várias gerações.
Tudo o que o Estado Novo construiu em termos económicos foi colocado em causa e substituído em partes importantes pelas ideias esquerdistas de igualdade e assalto "a quem tem dinheiro", como aliás hoje ainda acontece com as trágicas mortáguas e afins, filhas dos mesmos piratas de então.
Pessoas que deveriam saber melhor ( como o da figura à esquerda ou o seguinte, o advogado Vasco Vieira de Almeida) embarcaram na aventura e tiraram proveitos pessoais da mesma.  O povo mais pobre, esse mesmo em nome do qual quiseram fazer o que fizeram, em vez do salário mínimo que a CGTP reclama, fazendo o mal e a caramunha, tem um terço do que poderia ter.

É um paradoxo? Claro, como a economia, aliás,  comporta tantos. E por isso com papas e bolos enganam os tolos, desde então. Basta um palhaço rico qualquer ou um aldrabão de feira para termos um governo escolhido por maioria. Sócrates, agora o Costa e bota a moer.






Esta imagem acima mostra bem a desgraça que nos atingiu em 1975. Estas figuras, todas da esquerda, comunista e socialista, queriam um Portugal renovado, sem os tais "milionários". Tudo, mas mesmo tudo por inveja, simplesmente.

O que deixaram aos portugueses foi maior miséria do que a que encontraram. As ideias que defendiam e eventualmente ainda defendem (a figura em baixo, à direita,  é José Manuel Correia Pinto, irmão do antigo director do SIS, Horácio, e que foi professor universitário de Direito, em Coimbra, e que julgo tem um blog, onde defende o esquerdismo do costume. Pouco aprendeu e nada esqueceu...) mostram bem a dimensão da nossa desgraça colectiva.

São incapazes de perceber que a riqueza é gerada por uns tantos e pode ser distribuída por muitos, mas o modo como o defendem só conduz à pobreza, como está amplamente demonstrado e afinal a CGTP vem dar razão, mesmo sem consciência disso.


Os Mellos, Champallimauds e Espírito Santo eram a espinha dorsal da nossa economia de então. Não é certo nem garantido que nos anos a seguir, se tivessem continuado, não teriam problemas. Mas uma coisa é certa e segura: não teríamos as três bancarrotas que averbamos no currículo nacional, com a economia nacionalizada que tivemos e o sistema político que tal permitiu e se resume a bem pouco: fomismo, inveja dos ricos e votos maioritários nos que dizem defender os pobres ( outra vez inveja) e afinal só os prejudicam.

Esses mesmos "milionários" queriam continuar em democracia e propuseram medidas concretas, em Julho de 1974, da ordem das dezenas de milhar de milhões de euros, ao câmbio actual:


Quem mandava então ( aqueles ali representados simbolicamente) não quiseram. A esquerda em Portugal não quis e essa é a verdade. Inveja, novamente.

Houve um tempo em que tudo lhes foi possível. E aproveitaram, claro. Até ao 25 de Novembro de 1975 foi um forrobodó.




 Prenderam quem lhes apeteceu:


Fizeram uma Constituição "à maneira" deles, "avançada" nas ideias e retrógrada nos efeitos.


E evidentemente não conseguiram resolver os problemas económicos que aqueles conseguiriam pela certa resolver porque eram mais competentes que a canalha dos rosários e outros que tais, como os jerónimos afinadores de máquinas que ainda se arrastam por aí:





 Não ouviram quem foi sempre lúcido e avisou sempre a tempo:




 Os mesmos de sempre quiseram inventar a roda  e deram com os burros na água da tremenda incompetência que carregam. Alguns mudaram, mas poucos e mal porque passaram para o outro extremo do liberalismo à outrance:



E continuaram até agora na mesma senda ideológica da inveja dos Lusíadas:


É o panorama actual, aliás.

domingo, 19 de novembro de 2017

A mistificação comunista não é só com Salazar e o fassismo...

CM de hoje:


O óbulo do Expresso para as cheias de há 50 anos: um gato-pingado.

Na revista do Expresso desta semana um jornalista antigo fez de gato-pingado e andou a contar os mortos de há 50 anos nas cheias, por diversas conservatórias, consultando certidões de óbito. Diz o jornalista que então se mencionava expressamente nas mesmas a causa da morte e hoje não. É falso porque hoje ainda tal acontece e por isso mesmo se fazem autópsias quando a causa de morte é desconhecida.
Claro que não se esqueceu de dizer que "o país vivia sob a ditadura de Oliveira Salazar, que tudo fez para que a opinião pública não tivesse consciência da verdadeira dimensão da catástrofe. Desde logo, impedindo através da censura, que os órgãos de comunicação social informassem com verdade o que se passava." Podia lá esquecer esta "verdade" inventada a preceito! Só faltou pô-la no título...

Esta ignomínia que se junta às outras já por aqui catalogadas, nem repara na estupidez que encerra ao escrever-se logo à frente que "a 29 de Novembro, pouco antes de o regime ter decretado o fim da contagem pública dos mortos, o ultraoficioso Diário de Notícias ( José Pedro Castanheira, biógrafo de Jorge Sampaio, começou em 1976 , no O Jornal e se calhar não teve tempo de passar pelo tal ultraoficioso...) apontava para 427 mortos. No dia seguinte a agência Associated Press actualizava para 457. O último cômputo, feito pelo Diário de Lisboa a 3 de Dezembro, falava em 462".

A seguir escreve que todas as contas feitas por quem já as tentou fazer, o número total de mortos deve rondar os 500, portanto mais 38 do que o "último cômputo" feito pelo jornal da família Ruella Ramos que lutava pelo comunismo, na época, embora censurado, evidentemente.
Na época, houve dois jornalistas, empenhados em nome do PCP, que contaram 700...e ainda hoje tal número é sagrado para quem copia notícias e factos.
Estas merdas e mistificações nunca aparecem nos artiguelhos que se escreveram a propósito da efeméride. 


Torna-se evidentemente inútil remar contra esta maré de anti-zalazarismo primitivo e que em tudo o que possa ser aproveitado para denegrir o regime é usado como arma de "fake news", de mistificação da verdade e de manipulação da informação.

A simples asserção de que na época existia Censura prévia à imprensa, o que evidentemente é verdade,  basta para se lançarem os ataques mais estúpidos porque menos racionais e coerentes. A verdade que se lixe! O importante é continuar o discurso de denúncia do fassismo, mesmo que a realidade o desminta.
Esta instrumentalização dos media para mistificar uma realidade vivida por alguns, conduz à desinformação e à adulteração da verdade histórica, porque apresenta sempre um ponto de vista: o da oposição ao regime e a retoma de um relato que gostariam de fazer na altura e não fizeram por causa da censura.
E que relato era esse? Simples:o de que o regime de Salazar era responsável por estas tragédias, uma vez que assentava numa oligarquia fascista que impedia os comunistas e outros "democratas" de se exprimirem e o derrubarem em eleições a fim de deporem os sustentáculos do regime, ou seja, "os monopólios, o capitalismo e o tal fascismo".

Este discurso implícito em todas as mentes captas pelo comunismo de então, permaneceu em formol estes anos todos e arriba à superfície mediática sempre que a ocasião se proporciona. Nem sequer o cheiro nauseabundo da mentira é suficiente para denunciar esta canalha que então pretendia substituir a "ditadura de Salazar" pela ditadura do proletariado ( o PCP só aboliu a expressão depois do 25 de Abril de 1974) e alegremente ficarmos como os antigos países de Leste, subjugados ao imperialismo soviético, simplesmente porque essa mesma canalha o preferia ao imperialismo ianque da Cia e companhia.

Esta simplicidade de  discurso é exactamente o que justifica, ainda hoje,  o ambiente mediático prevalecente uma vez que os próceres desse jornalismo ainda não desapareceram de todo, ensinando aos vindouros as regras da profissão e da mentira institucionalizada ( como se fazia no Leste de então) sendo certo que os seus compagnons de route, como eram os socialistas de então, também aplaudem a mistificação e colaboram nela como então colaboraram, até aparecer o "caso República"...

 

sábado, 18 de novembro de 2017

2009, ano de todos os perigos

Manuel Moura Guedes, ontem ao i:

Como o tempo passa e as memórias vão ficando para trás, convém lembrar algumas coisas que se passaram em 2009.

Em 12 de Junho de 2009, O TGV era uma promessa ainda não abandonada:



Outras obras do regime, faraónicas, tinham dado um prejuízo medonho, mas não assustavam ninguém, muito menos   quem governava, ainda com maioria absoluta. "Dinheiro há sempre", dizia o que já morreu, irmão do dr. Tertuliano. O tintin das contas, aqui mostrado,  pouco ou nada fazia, apesar de saber o que se deveria fazer, mas não fazia para não perder direito a tachos e tachinhos para si e para os seus:



Se o TGV ainda poderia ser travado, outras obras não o puderam ser, como a terceira-autoestrada Lisboa-Porto...

Em Junho de 2009 o país andava entretido com a novela da TVi e de Manuela Moura Guedes. Apareceu nessa altura um comprador milagroso para o grupo da Media Capital: uma tal Ongoing, de um tal Nuno Vasconcellos que até queria comprar as acções da Impresa do amigo Balsemão. De onde vinha o dinheiro? Hoje sabe-se: BES, entre outros.

E quem é que estava por trás disto tudo? Sabe-se agora e na altura desconfiava-se. Os magistrados que investigavam o processo Face Oculta, em Aveiro também sabiam: José Sócrates e o grupo que o rodeava.



 Mas não estava sozinho na corrida, o tal Vasconcellos que agora anda falido e fugido,  no Brasil, certamente com contas recheadas em offshores.

Havia outro artista que se chama Zeinal e o 24 Horas do inenarrável Pedro Tadeu fazia-lhe o panegírico em 25 de Junho de 2009, precisamente na altura em que o atentado ao Estado de Direito tinha sido travado, ironicamente, através da violação de segredo de justiça, com origem em círculos próximos da magistratura de topo.






 

 Como se pode ler, sobre os negócios da TVI, Sócrates não sabia de nada, o que aliás é comprovado pelas escutas que agora se conhecem do processo Marquês e Face Oculta. De nada sabia, o vigarista.

Contudo era mesmo o outro pivot da história. Não sabia nada e dava conta o pasquim do Tadeu, já dirigido por outro, em 7 de Setembro de 2009, uma segunda-feira, dia de "aniversário da família socialista", celebrou assim:a família socialista que tinha como membro ilustre o actual primeiro-ministro de nada sabia. Nada, nadinha. Até hoje, coitados. Todos enganados e mansos.


Para estragar a festa havia uma notícia sobre "documentos bancários detectados em paraísos fiscais" relacionados com o aniversariante. O Ministério Público da altura fez vista grossa. Pinto Monteiro era o PGR...mas diga-se em abono da verdade que qualquer pessoa poderia ter enviado ao DCIAP uma cópia do jornal porque se calhar a directora Cândida não lia o pasquim. Assim...ficou tudo como dantes, com atestado de seriedade passado pela inoperência do MºPº e das instituições que agora rasgam as vestes por não terem visto nada.



No dia seguinte ao da festa socialista houve um encontro misterioso na sede da Ordem dos Advogados, patrocinado pelo então bastonário, o fanfarrão Marinho e Pinto que foi assim documentado pelo Público do dia seguinte:

Um mês antes tinha havido aquilo de que agora se fala: o acordo entre os mais altos representantes da Justiça em abafar o caso Sócrates e o crime de atentado ao Estado de Direito.

Abafar é a expressão. Esconder. Obliterar, cortar, censurar, arquivar.

E já me esquecia: como é que José Eduardo Moniz saiu da TVI e acabou o programa de Manuela Moura Guedes, nessa altura? Como uma grande indemnização. Paga pelos do costume como agora se sabe.  É pena que na altura a imprensa e media em geral andassem a dormir, como era o caso da Sábado de 6 de Agosto de 2009.


Na capa publicitavam os melhores alimentos para o cérebro, mas não devem ter seguido o conselho dos especialistas internacionais...