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sábado, 24 de junho de 2017

As catástrofes "fassistas" que matam mais branco

Perante a dimensão da catástrofe do fim- de-semana passado certa inteligentsia de esquerda que protege a geringonça governativa procura comparações com outras catástrofes mais antigas e lá vai ter ao passado do "fassismo" que é sempre o de maior conforto nessa avareza cognitiva.

Na revista Visão desta semana lá aparece o antifassista de serviço ( são muitos nessa revista) Luís Almeida Martins a dar conta em relato pessoal de uma catástrofe natural ocorrida em 25 de Novembro de 1967 na área de Lisboa.


O articulista antifassista  socorre-se da memória pessoal e apresenta capas do Diário de Lisboa ( disponíveis na hemeroteca da fundação Mário Soares) e titula "surdina para 500 mortos", informando que "a ditadura teve que reconhecer que centenas de pessoas perderam a vida nas cheias de 1967", deixando suposto que as vítimas eram por si mesmas avessas ao regime que no entender antifassista pretendia submergi-las nas ondas da Censura.

A estupidez do raciocínio explana-se por si mesma no artigo em que o antifassista acusa o antigo regime de pretender esconder estas catástrofes: no dia seguinte de manhã, ou seja 26 de Novembro os jornais ( Diário de Notícas e Século)  "contavam, mas de forma tanto quanto possível contida. Falava-se de muitos mortos. Dezenas. Centenas. A Censura não podia, de qualquer modo negar a evidência. À tarde. o Diário de Lisboa era mais objectivo do que o Diário de Notícias e o Século."
Os jornais da manhã fizeram-se durante a noite da catástrofe mas o antifassista já queria informação a rodos logo pelas sete horas da matina e que só não foi possível por causa da Censura...mas à tarde já era possível saber mais. Enfim!

Se este Martins antifassista lesse e consultasse outros meios de informação teria talvez mais senso nos comentários mas não lhe seria possível vituperar o regime e a Censura o que seria uma uma frustração.

Assim, haverá que recorrer a outras fontes para saber o que aconteceu na informação a propósito da catastrofe.

Um livro antifassista também, editado em 2006 pela Bertrand ( Portugal século XX, de Joaquim Vieira)  mostrava imagens da catástrofe tal como publicadas na época e a imagem da capa da revista Século Ilustrado.
As imagens são eloquentes e mostram por si o que estes antifassistas primitivos pretendem esconder: que em 1967 a Censura tinha outro recorte e função que não o que lhe querem atribuir à outrance. E que as imagens então publicadas hoje em dia, neste antifassismo militante, seriam impossíveis. Vá lá explicarem isso...!


Para além da catástrofe de Novembro de 1967 outras são citadas pelo antifassista. Uma de 1966, num incêndio em Sintra, em que morreram 25 militares ( na altura combatiam incêndios, sem problemas burocráticos de maior...) e ainda o terramoto de 1969.


Esqueceu-se o antifassista destes caso singulares, também mostrados na imprensa da época:


Até quando teremos estes relatos tendenciosos, maliciosos e falsos? Até quando continuarão o livre curso na imprensa portuguesa actual? Os media portugueses actuais estão inundados de "fake news", de "demagogia cognitiva"  em que aparentemente alimentam uma imagem auto-construída e falsa em si mesma: a de o regime de Salazar e Caetano ser fascista, em primeiro lugar. E em segundo, de ser aquilo que nunca foi: uma opressão constante e permanente, totalitária, a usos, costumes e modos de viver populares. O regime anterior, nesse aspecto era mais liberal e livre do que o actual, por muito que lhes custe a aceitar.
A permanente guerrilha cultural e gramsciana a que se entregaram de alma e coração de há 43 anos a esta parte não encontra grande resistência, é certo. Mas a verdade acabará por se impor, uma vez que não é possível enganar toda a gente durante o tempo todo.

Esta atitude recorrente não se distingue muito da falsificação fotográfica praticada pelos soviéticos quando apagavam literalmente figuras que deixavam de ser benquistas do regime. E sabemos como isso acabou.

O incêndio da Informação

Vale a pena ler os jornais de hoje sobre os incêndios do fim-de-semana passado. Os artigos são interessantes, as opiniões quase unânimes ( quem manda falhou por incompetência e desleixo) e há histórias de quem viveu o horror da tarde e noite de Sábado passado.

Para além disso há relato de alguns factos necessariamente conexos a uma explicação para o que se passou na realidade.

Porém, a qualidade dos escritos não é toda igual nem a qualidade é geral. O Sol é uma decepção, nesse aspecto e nada tem de especialmente relevante para  informar leitores que procurem explicações para além do que se vai sabendo. O destaque vai, aliás, para a opinião escrita em duas páginas de reportagem com "bombeiros e populares" que acreditam ter o incêndio uma origem criminosa, particularmente nos reacendimentos.
Sobre o ponto fulcral- as mortes na EN236-1 pouco de novidade ou relevância.

O Correio da Manhã continua o registo de maior atenção aos dramas humanos das vítimas e tem o testemunho de mais uma sobrevivente do inferno naquela estrada nacional. É pena que não tenha sido perguntado o circunstancialismo típico do jornalismo: quem, o quê, como, quando e onde. Faltou o quando, relativamente à hora e o onde relativamente ao ponto de entrada na EN236-1. A testemunha diz que aguentou 4 horas dentro de uma carrinha de peixe, refrigerada, juntamente com outras pessoas que conseguiu resgatar no caminho e que quando passou, "vi um enorme túnel de fogo mas já não conseguia recuar. Avancei e, quase em visibilidade, embati nas valetas, nos raisl e nos carros que ardiam no meio da estrada. Não vi ninguém mas imagino que estivessem pessoas lá dento e o que atormenta é que se calhar atropelei pessoas sem querer." 

Obviamente terão sido estes os minutos fulcrais dos factos ocorridos na EN236-1 e era preciso saber a que horas tal ocorreu. O jornal não perguntou...

O Público, esse, anda aos papéis, literalmente. O seu director diz que ninguém ainda sabe de nada sobre o que aconteceu na EN236-1. A testemunha do CM sabe alguma coisa...mas o Público não perguntou a ninguém que lá passou para tentar saber mais. É pena e o artigo de David Dinis é um retrato de impotência informativa e incompetência profissional.


Por outro lado olhando já para o rescaldo do incêndio foi pedir opinião em "folha A4" a um antigo governante do PSD que elencou algumas medidas que julga essenciais a tomar, chorando agora sobre o leite derramado.


A surpresa do fim-de-semana é o Expresso. Uma edição magnífica, para guardar e com relatos e opiniões de grande proveito. Tem a melhor análise, de conjunto, sobre o que se passou e traz informação nova e relevante para se entender o ocorrido na EN236-1. O pequeno artigo de Amadeu Araújo ( vou estar atento ao que escreverá a seguir...) dá um retrato de uma situação caótica e porventura próxima da realidade imaginável e comprovável. O testemunho de um bombeiro local , Augusto Arnaut, comandante dos bombeiros de Pedrógão, desmente factos relatados por "quem manda", nomeadamente os relativos ao número de bombeiros disponíveis desde o primeiro momento e os meios utilizados.  Os factos são esmagadores e denotam a suprema incompetência e negligência associada de quem manda.

Aqui está um bom guia para o Ministério Público no terreno, seguir:


A opinião de Henrique Raposo merece destaque porque a de Miguel Sousa Tavares é sectária demais: quase toda a responsabilidade é alijada  para o governo anterior. Sobre o inefável Lacerda, nem uma palavra...


Em tudo isto aparece um fait-divers que diz mais do que muitos sinais: a ministra Constança apareceu no local em sapatos de ténis ou de correr...
Não poderia haver melhor metáfora para a incompetência: um dress code errado por erro de percepção.

No final, o retrato de quem manda e dos responsáveis por esta tragédia. Já todos lavaram  as mãos...porque se agarram aos lugares como lapas.



Entretanto, torna-se necessário ouvir em investigação, este indivíduo que terá sido uma das primeiras testemunhas do início do incêndio: diz que não viu ou ouviu qualquer trovoada seca e que tal não seria possível e que por isso mesmo ficou chocado com o anúncio da descoberta da origem do incêndio.
Espera-se por isso da investigação a humildade suficiente para reconhecer eventuais erros e precipitações de análise ( a atribuição da origem do incêndio a um raio de trovoada seca). Cuidado é preciso e humildade ainda mais...
As nódoas caem no melhor pano e a melhor política não é tentar apagá-las com silêncio.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Subir as paradas...à custa de noticias falsas.

 O jornal espanhol El Mundo publicou notícias sobre os incêndios que queimaram a reputação política de alguns, com queimaduras ainda escondidas sob a gaze dos media nacionais, escrevendo isto:

A desastrosa gestão da tragédia pode pôr fim à carreira política de António Costa”. Assim começa um artigo do jornal madrileno sobre os incêndios em Portugal e o de Pedrógão Grande em particular, onde combatem 80 bombeiros espanhóis, apoiados por dois aviões Canadair enviados pelo país vizinho. O “El Mundo” fala ainda num “aluvião” de criticas ao primeiro-ministro e à ministra da Administração Interna, pela descoordenação no combate às chamas

Como o El Mundo não é um blog qualquer, a quem poucos ligam ou dão importância, o atrevimento em colocar em causa a actuação política do geringonço nº 1, no caso concreto, provocou logo tremideira cujas ondas de choque ainda se farão sentir nos próximos dias.

E por isso já saíram à liça os mastins de protecção que se encarregam agora de ladrar ao jornal madrileno. Assim, subindo a parada das apostas na manutenção dos geringonços, sem demissões à vista:

 Sapo24:
O Sindicato dos Jornalistas divulgou hoje um comunicado acerca da polémica nascida nas redes sociais e blogues e noticiada em alguns meios de comunicação social acerca da cobertura pelo jornal espanhol dos incêndios em Portugal, nomeadamente sobre as implicações políticas, e a existência do jornalista Sebastião Pereira, que assinava as reportagens do El Mundo.
O Sindicato diz que contactou em Portugal a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, que confirmou não haver registo do nome Sebastião Pereira, e também a publicação espanhola, que informou de que se trata de um profissional que já conhece e que assinou as peças noticiosas com pseudónimo.
"Nada fizemos de errado, recorremos a um jornalista que utiliza pseudónimo e que já conhecemos bem”, disse Silvia Román, responsável pela secção de Internacional, citada pelo Sindicato de Jornalistas.
Segundo a estrutura representativa dos jornalistas portugueses sindicalizados, a editora de Internacional rejeitou “dizer há quanto tempo conhecem o referido jornalista” e acrescentou que já recebeu imensos contactos de Portugal por causa da cobertura dos incêndios, o que não lhe aconteceu em mais de 20 anos de trabalho naquela secção.
"Parem de me atacar no Twitter! Parem de me enviar emails! Parem de tentar telefonar-me! Em 22 anos nesta secção nunca me aconteceu algo assim, nem nos casos da Venezuela ou da Turquia!", afirmou, ainda segundo o Sindicato dos Jornalistas.
O Sindicato dos Jornalistas termina o comunicado a informar que contactou também os sindicatos espanhóis a pedir cooperação para esclarecer este assunto.

Sobre o papel dos jornalistas no relato destes factos e acontecimentos, o jornalista Miguel Pinheiro, no Observador, pensa o seguinte:

  A obrigação de um jornalista (e não uso a palavra “obrigação” de forma leve) é mostrar aquilo que vê — mesmo aquilo que às vezes outros preferiam que não víssemos ou aquilo que nós próprios, em certas alturas, preferíamos não ver.

Com que então a obrigação do jornalista é mostrar aquilo que vê?! Tomara que fosse, porque sempre me pareceu ser mostrar aquilo que outros podem estar interessados em ver. Tal como refere o sociólogo citado num postal anterior. E é aí que ocorre a demagogia cognitiva, como o mesmo também refere: a vontade em dar a informação que coincida com a representação que se faz daquilo que seja a  procura de informação.
Quando o jornalista se deixa levar por esse conceito está próximo do "facto alternativo" referido pelos apoiantes de Trump: na cerimónia de investidura de presidente, estariam mais pessoas do que aquelas que foram mostradas pelas imagens de tv.
Tal como no funeral de Mário Soares, o contrário também sucedeu...ou seja, os jornalistas não mostraram o que viam mas o que julgavam que o povo espectador de tv gostaria de ver: um mundo de gente que não existiu. El Mundo...

O jornalismo em Portugal é essencialmente o da "verdade a que temos direito"; não é necessariamente aquilo que o jornalista vê, sente e pressente. A "verdade a que temos direito" é definida por estruturas oligárquicas, políticas, empresariais e mediáticas. São poucas pessoas e sempre as mesmas de há uns anos a esta parte. Quem manda pode.  E o jornalismo obedece fazendo de conta que relata aquilo que se vê...

Em Portugal, dizia ontem Nuno Garoupa numa tv, não há sociedade civil. Há o Estado e os partidos. Porque raio o jornalismo nacional deveria ser uma excepção neste panorama?

O Correio da Manhã e o Observador e sei lá que mais que é quase nada mais? Pois sim. Nem chegm a ser andorinhas para nova primavera. São apenas cucos que procuram chocar os ovos em ninhos que outros já fizeram. Nem podem arriscar muito porque o capital é volátil e os "ventos da História" não estão para modas. 

O verdadeiro, o falso e o quase-verdadeiro

Nem de propósito, à hora de almoço, pouco tempo antes de colocar o postal que antecede, enebriado pela convicção de que se tratava de um scoop, comprei uma revista francesa no quiosque,  com o título Papiers. E um dos temas: O verdadeiro, o falso e o quase-verdadeiro.

Se tivesse lido o artigo talvez pensasse duas vezes antes de publicar o postal. Assim, inês é morta.

Mas vale a pena reflectir sobre os perigos da precipitação de raciocínio, o erro e a falsidade inerente a conjecturas falsas. É isso aliás que nos ensina melhor o livro de Umberto Eco, O Nome da Rosa. É preciso muito cuidado com a aparência da verdade porque por vezes anda ao lado da mentira, ou até tende a sobrepor-se-lhe.
Nestes casos de investigação de factos e realidades é preciso atender aos pormenores e conjugar todos os factores plausíveis e possíveis e mesmo assim propícios ao erro. Só um grande exercício de  humildade pode ultrapassar essa tentação.

A internet ao mesmo tempo que nos dá uma quantidade fabulosa de informação traz-nos também uma carrada de desinformação e erro. E é preciso mesmo bastante atenção para não cairmos na ilusão do real, afinal decepcionante e desvirtuado.

No artigo aparece um dos intervenientes- Gérald Bonner a dizer, citando dois psicólogos que somos "avaros cognitivos" ou seja tendemos a procurar uma forma de conforto relativamente à verdade que procuramos transmitir  de modo a coincidir com a representação que fazemos daquilo que será a procura de informação. E pela conquista da atenção de quem lê.
Aqui não procuro tal coisa, mas não estou alheio a tentar comunicar o que me impressiona, como um modo de conforto relativamente à verdade.

Há por isso um perigo em quem leia o que aqui se escreve. Estejam atentos! Não acreditem em tudo e questionem tudo. Procurarei fazer o mesmo porque sou o principal interessado nesse "conforto".


Um escândalo inominável? Nao...foi no Domingo

Estas imagens do YouTube mostram aparentemente os carros da comitiva  em que seguiria o Primeiro-Ministro António Costa a passarem no IC8 no último Sábado ( errado, foi no Domingo), ainda a horas de se ver bem o dia.
Como se vê, o trânsito estava cortado à plebe..e nesse momento,( no dia anterior)  morriam pessoas na EN236 por causa destes cortes de estrada para deixar passar quem manda...
 Ainda se soubesse mandar bem!...



Perante o erro de indicação da data não faz sentido indicar demissão alguma, neste caso, mas apenas pedir desculpa a eventuais leitores desprevenidos, pela precipitação da publicação.

Como dizia o povo, "as cadelas apressadas parem crias cegas"...e é bem verdade.

ADITAMENTO:

Pessoas que prezo  alvitraram em conselho amigo a conveniência em retirar este postal. Não o farei para que se veja que o erro na internet deve ser corrigido, imediatamente, o que só é possível aqui.  Nos jornais ou mesmo redacções de notícias de televisão e rádio é mais difícil e moroso.  O caso do avião auto-tanque que caiu e afinal não caiu é um exemplo.
Por outro lado depois de cometido um erro destes não se apaga tal coisa assim, safando os vestígios da publicação. Quem fez isso e lamentavelmente foi um certo Vital Moreira, logo que leu um certo acórdão sobre um arguido excelentíssimo no caso Casa Pia, há uns bons dez anos, para cima. Leu à pressa ou leram-lhe à pressa os considerandos vertidos no proémio do acórdão da Relação que libertou Paulo Pedroso e o lente Vital colocou na sua loca infecta da Causa o veneno contra as autoridades judiciárias que tinham cometido o erro de prender o correlegionário que afinal estava inocente como uma pomba branca.
Fatal! O proémio era a transcrição da motivação de recurso do visado e não o teor da decisão que não dizia o que o lente dizia que dizia.

Quando deu conta do erro apagou à pressa e foi pior a emenda que o soneto porque tinham ficado registos atrás e o rabo felpudo do gato não ficou escondido de todo. Não quero fazer a mesma figura.


Sinais interiores de pobreza

A antiga directora do Público ( entre 2009 e 2016) Bárbara Reis está "reformada" na escrita opinativa no mesmo jornal.

Hoje estende este artigo sobre sinais exteriores de riqueza que estão associados a corrupção e "ninguém faz nada".



O caso singular retratado diz respeito a um antigo ajudante de Santana Lopes ( claro) , também presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis precisamente durante o tempo em que aquela foi directora do jornal diário da Sonae.
Toda a crónica gira à volta de um carro de luxo emprestado ao agora arguido Loureiro por empresário amigo e que a cronista critica por ser dádiva superior ao limite da  "mera cortesia".

Subjacente, no artigo, está a corrupção e a ausência de luta adequada mormente através da sindicância de certos sinais exteriores de riqueza.

Ao ler a crónica lembrei-me logo disto, que a TVI reportou em  2010:


Em qualquer país civilizado esta notícia que dava conta da preferência de um primeiro-ministro em funções por uma loja de "apparel" de luxo no estrangeiro e com o nome próprio na montra, seguido do cargo público exercido, daria pano para mangas de reportagem e inquérito no Parlamento se os media lhe "pegassem". O Público nunca "pegou".

Em 30.3.2013 o Correio da Manhã que a antiga directora do Público deve julgar um "pasquim" , divulgou esta notícia:
 

Um mês e meio depois de ter saído da liderança do Governo, José Sócrates comprou um Mercedes-Benz classe S 250 CDI em primeira mão, no valor de 95 mil euros, que continua em seu nome, apurou o CM. Anteontem à noite, porém, o ex-primeiro-ministro deixou o carro de luxo com o motorista e apresentou-se na RTP, para a sua primeira entrevista desde que regressou de Paris, ao volante de um Volskwagen Golf alugado. Sócrates adquiriu o Mercedes, novo, em Agosto de 2011 - pouco depois de ter sido derrotado nas eleições de 5 de Junho e de ter saído do Governo no dia 21 do mesmo mês. Mas na RTP, quarta--feira, afirmou: "A primeira coisa que fiz quando saí de primeiro-ministro foi pedir ao meu banco um empréstimo para ir viver um ano para Paris, sem nenhuma responsabilidade ao nível profissional." O ex-líder do PS não referiu, porém, ter contraído qualquer empréstimo para comprar um classe S por 95 mil euros.

E acompanhou com foto do local e do modelo:


Um mês e meio depois de ter saído da liderança do Governo, José Sócrates comprou um Mercedes-Benz classe S 250 CDI em primeira mão, no valor de 95 mil euros, que continua em seu nome, apurou o CM. Anteontem à noite, porém, o ex-primeiro-ministro deixou o carro de luxo com o motorista e apresentou-se na RTP, para a sua primeira entrevista desde que regressou de Paris, ao volante de um Volskwagen Golf alugado. Sócrates adquiriu o Mercedes, novo, em agosto de 2011 - pouco depois de ter sido derrotado nas eleições de 5 de junho e de ter saído do Governo no dia 21 do mesmo mês. Mas na RTP, quarta--feira, afirmou: "A primeira coisa que fiz quando saí de primeiro-ministro foi pedir ao meu banco um empréstimo para ir viver um ano para Paris, sem nenhuma responsabilidade ao nível profissional." O ex-líder do PS não referiu, porém, ter contraído qualquer empréstimo para comprar um classe S por 95 mil euros.

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/saiba-tudo-sobre-o-carro-de-luxo-que-socrates-comprou
Em qualquer país civilizado estas notícias seriam replicadas por jornais como o Público, que lhe "pegariam" para questionar os visados sobre os factos. O Público de Bárbara Reis nunca "pegou".

Teriam evitado o que se passou tempos depois, com o espalhafato mediático da prisão de um antigo primeiro ministro à saída de um aeroporto e que este tipo de jornalismo asséptico tanto criticou depois? Provavelmente. De qualquer modo seria assim que o jornalismo serviria a democracia e não a oligarquia, como o Público sempre fez, tendencial e partidariamente, o que se torna ainda mais vergonhoso.  Uma prova disso está precisamente no artigo de hoje: o visado não é do partido afecto.

Bastaria que o jornal dirigido então por esta Bárbara Reis, "pegasse" no assunto.

O Público não pegou. E Bárbara Reis era a directora. E não foi por falta de informação e comentários, na época.  Pode por isso ir dar banho ao cão se é  que o tem.
O que revela com isto são os seus  sinais interiores de pobreza, afinal.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Num chega...o SIRESP tem Costas largas.

 Observador:

Depois de tudo o que se passou, há equipas que ainda estão no terreno e não estão a utilizar o SIRESP — Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal. O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, afirma ao Observador que é “assustador e anormal, mas neste momento há bombeiros, como algumas equipas de sapadores de Lisboa, que estão no terreno e que estão sem SIRESP, porque ele não funciona.”
Fernando Curto considera “preocupante” esta situação porque é esta rede que garante que “todos os agentes estão em comunicação“. E volta a apontar para a influência que a falha do SIRESP pode ter tido na morte de 47 pessoas na EN-236, a chamada “estrada da morte“. Para o presidente da ANBP, o comando teria informação de que a estrada “estava no perímetro do incêndio” e não terá conseguido comunicar com quem estava no terreno (GNR e bombeiros) para tentarem evitar que as pessoas fossem para ali encaminhadas.
O comandante, no posto de comando, tinha de ter a informação que aquela estrada estava no perímetro do incêndio, que ela não tenha chegado em tempo útil só pode ter-se dado devido a uma falha de comunicação“, explica Fernando Curto.
O presidente da ANBP diz que o SIRESP “sempre falhou” e garante, por exemplo, que “em Vila Nova de Gaia não funciona o SIRESP”. Fernando Curto não quer fazer previsões. “Não vou dizer que se não houvesse falhas no SIRESP, não havia mortes naquela estrada. Mas se pessoas foram encaminhadas para uma estrada supostamente segura, que era perigosa, é porque houve falhas de comunicação“, acrescentou.
Quanto às redes redundantes, Fernando Curto diz que não substituem o SIRESP, que considera “imprescindível para a comunicação entre as várias entidades”.


                                                                 ***

Comentário: o SIRESP pode não ter funcionado, mas havia outros meios de comunicação imediata. A brigada de trânsito da GNR que estava no IC8 não precisava do SIRESP para saber do perigo que era a EN236. 

O Ministério Público e a investigação do incêndio em que morreram 64 pessoas

Observador:
 
A procuradora-geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, afirmou, esta quinta-feira, que o Ministério Público está, desde o início, “no teatro de operações” para investigar as causas do incêndio que começou em Pedrógão Grande no sábado, no distrito de Leiria.
“O Ministério Público (MP) esteve presente, no teatro das operações, desde o início na perspectiva de exercer com rapidez as suas competências. Todos os elementos da Polícia Judiciária, Instituto de Medicina Legal e demais instituições presentes tinham contacto, directo, com os magistrados do MP que estiveram, aliás, desde domingo e segunda-feira, não só contactáveis como mesmo presentes em alguns desses sítios”, disse Joana Marques Vidal à margem VII Congresso dos Solicitadores e dos Agentes de Execução que decorre até sábado, em Viana do Castelo.
A PGR adiantou que o inquérito crime, em segredo de justiça, “foi levantado nos primeiros momentos em que o fogo deflagrou e que houve conhecimento de que havia vítimas mortais e danos” e que “irá investigar tudo aquilo que for necessário ser investigado”.
Nunca se pode arredar a necessidade de investigação em toda a sua vertente, designadamente a possibilidade de existir indício criminal, ou não”, sustentou.
Joana Marques Vidal adiantou que “o inquérito está a correr os seus termos no Ministério Público do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) da Comarca de Leiria”.
“O inquérito foi avocado pela magistrada do Ministério Público, coordenadora do DIAP da Comarca de Leiria e que, claramente, como, aliás, decorre da lei, tem como órgãos de polícia criminal que coadjuva, a Polícia Judiciária, sem prejuízo da colaboração de todas as outras instituições que têm competências nessa matéria. Tudo aquilo que diz respeito ao incêndio, às suas causas, às suas consequências irá, naturalmente, ser objecto desse inquérito”, destacou.
Lusa


"Desde domingo, dia 18 de Junho, que uma equipa de três magistrados estava em Pedrógão Grande a acompanhar no terreno as operações de socorro e, acima de tudo, o trabalho que a Polícia Judiciária (PJ) e o Instituto de Medicina Legal realizaram de localização e sinalização dos 64 corpos das vítimas.
Essa equipa foi enviada por Euclides Dâmaso, líder do MP no distrito judicial de Coimbra que inclui a comarca de Figueiró dos Vinhos e que esteve em contacto com Almeida Rodrigues, director nacional da Polícia Judiciária (PJ), desde a noite de sábado.
Tendo em conta a trágica morte de 64 pessoas e os mais de 250 feridos, os crimes de negligência em causa podem ser os seguintes:
  • Homicídio por Neligência – art. 137.º do Código Penal com pena de prisão máxima até aos 3 anos ou 5 anos em caso de negligência grosseira
  • Ofensa à Integridade Física por Negligência – art. 148.º do Código Penal com pena de prisão até 1 ano ou 2 anos se resultar da negligência ofensa à integridade física grave 

Há três situações que têm sido noticiadas nos últimos dias que vão ser investigadas:
  • O não encerramento atempado da Estrada Nacional 236-1 (a chamada ‘Estrada da Morte’ onde morreram mais de 40 pessoas) por parte da GNR. Há mesmo testemunhos que têm sido publicados na comunicação social que indiciam que os militares da Guarda terão conduzido viaturas para EN 236-1, depois de terem encerrado o IC 8.
  • O sistema de comunicações SIRESP voltou a falhar no sábado dia 17, tendo afectado as comunicações de socorro. O semanário Expresso noticiou que o sistema de comunicações de emergência esteve ‘em baixo’ na zona de Pedrógão Grande entre o meio da tarde sábado e as 8 da manhã de domingo — altura em que a cobertura do SIRESP foi reactivada com uma antena móvel. Já não é a primeira vez que o SIRESP falha. Entre as diversas situações que já ocorreram, salienta-se outro fogo florestal em 2016 no Sardoal em que morreram dois bombeiros.
  • O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), responsável pela previsão das condições meteorológicas, terá alertado a Autoridade Nacional da Protecção Cívil sobre a possibilidade de ocorrência de trovoadas secas a norte do Distrito de Leiria e o risco de incêndio. Leiria estava catalogada pelo IPMA com o risco laranja (o segundo mais grave) em termos de risco de incêndio.

Tem de ser estabelecido um nexo de causalidade entre a negligência e as consequências da mesma.
Isto é, não basta provar a existência de uma situação de negligência. Tem de provar-se uma relação entre os erros cometidos por um agente de autoridade pública (ou privada) e as mortes que ocorreram, de forma a conseguir imputar a uma pessoa concreta a responsabilidade pela morte de alguém.
Peguemos no exemplo das 47 mortes que ocorreram na EN 236-1. Terão de ser recolhidas provas de que os militares da GNR tinham a informação de que aquela via rodoviária estaria em perigo ou ameaçada pelo fogo. Logo, teriam de que iriam colocar em perigo os cidadãos que seguiram as suas instruções.
O mesmo se diga sobre o não encerramento atempado daquela via rodoviária — quando o IC 8 foi encerrado às 18h50 de sábado. Teria de ser recolhida prova de que os elementos da cadeia de comando da hierarquia da GNR sabiam de que o fogo já estaria nas imediações da EN 236-1, o que acarretaria sempre perigo para as pessoas e bens.
O Comando Geral GNR, de acordo com o relatório preliminar que já enviou para o primeiro-ministro António Costa diz duas coisas:
  • Não havia, ao final da tarde/início da noite de sábado, “qualquer indicador ou informação que apontasse para a existência de risco potencial ou efectivo em seguir por esta estrada (EN 236-1) em qualquer dos sentidos”. Além disso, a GNR fala em “dificuldades operacionais na missão de cortar a EN 236-1”, pois são múltiplos os pontos de acesso.
  • “Foi num contexto de fenómeno invulgar que terão ocorrido os fatídicos acontecimentos da EN 236-1, uma vez que o fogo terá atingido esta estrada de forma totalmente inesperada, inusitada e assustadoramente repentina, surpreendendo todos”, lê-se no esclarecimento que foi enviado para o Governo a pedido do próprio primeiro-ministro."
                                                                 


                                                                       ***

Comentário:

Ora bem. É raro encontrar nos media este tipo de explicações assim tão detalhadas e com objectividade jornalística qb. Quem também faz isto muito bem e com a colaboração prestimosa de um especialista que não diz bacoradas jurídicas e sabe do que fala ( o professor de direito penal Rui Pereira) é a CMTV e tem prestado um serviço inestimável ao país que mais ninguém faz, esclarecendo coisas que devem sê-lo.

Obviamente que este novo meio de informação que é o Observador ( e outros, noutras plataformas editoriais, na internet) é um acrescento valioso para uma melhor compreensão dos fenómenos e acontecimentos.

É também raro e de acrescento valioso saber que o MºPº local se encontra empenhado a fundo e  com a intervenção profissional dos mais altos escalões ( procurador-geral distrital de Coimbra, Euclides Dâmaso) e empenho pessoal e com provas dadas dos mesmos ( em situações concretas há muitos anos atrás) .

No caso do incêndio que começou no Sábado e se estendeu para os dias seguintes é primordial entender o que o Observador indica, a propósito dos crimes em causa e das dificuldades de prova que os mesmos objectivamente apresentam, na respectiva recolha no terreno, literalmente.

Há dois factos principais, com outros co-relacionados que importa reter como fundamentais. Retiro para já o relativo ao (não) funcionamento do SIRESP, durante a tarde de Sábado uma vez que haveria outros meios de comunicação disponíveis e portanto esse pormenor que é maior, fica à parte, neste caso. Restam estes dois:

 1. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), responsável pela previsão das condições meteorológicas, terá alertado a Autoridade Nacional da Protecção Cívil sobre a possibilidade de ocorrência de trovoadas secas a norte do Distrito de Leiria e o risco de incêndio. Leiria estava catalogada pelo IPMA com o risco laranja (o segundo mais grave) em termos de risco de incêndio.

 2. O não encerramento atempado da Estrada Nacional 236-1 (a chamada ‘Estrada da Morte’ onde morreram mais de 40 pessoas) por parte da GNR. Há mesmo testemunhos que têm sido publicados na comunicação social que indiciam que os militares da Guarda terão conduzido viaturas para EN 236-1, depois de terem encerrado o IC 8.

 Então se houve a indicação do IPMA à Autoridade Nacional de Protecção Civil ( ANPC) acerca das condições meteorológicas que pelos vistos foram únicas, excepcionais e com risco de incêndio a seguir ao máximo ( alerta laranja) a pergunta a fazer à ANPC é sobre o que fez para proteger as pessoas da região e evitar a tragédia que aconteceu.

Nestes casos de incêndio as tragédias estão sempre à porta da ANPC e por isso a obrigação de acção perante circunstâncias concretas não deixa margem de manobra suficiente para lavagem de mãos sempre que acontecem mortos às dezenas e estragos de bens de grande valor para as pessoas como sejam as próprias habitações.

Para grandes males, grandes remédios.  As condições meteorológicas para a tarde de Sábado, dia 17 de Junho, na região de Pedrógão Grande eram de tal forma assustadoras que a ANPC não pode vir dizer que não teve medo. Se o disser incorre na prática do crime, parece-me.

Logo, se teve medo, o que fez para esconjurar esse demónio que se soltou, segundo todos os depoimentos das testemunhas que viveram essas horas naquele local?
Mandou cem bombeiros, 33 carros e um heli para combater o Demónio à solta nas primeiras horas? E acrescentou mais 50 bombeiros, uma dúzia de carros e dois helis, dali a duas horas? E depois de se consumarem as mortes de dezenas e dezenas de pessoas, acrescentou mais 100 bombeiros, mais 40 carros, tirando  um heli, ficando com dois?
Se foi assim, a negligência consciente é grosseira e aproxima-se do dolo eventual ou seja, da previsão de um efeito como provável e a  desconsideração como realizável.
Não pensaram que as poucas centenas de pessoas isoladas em algumas aldeias, velhos, sobretudo, não estavam preparados para enfrentar o Demónio? Deviam ter pensado e actuado em conformidade, como o fizeram agora, à outrance, como acontece sempre que algo corre mal. Teriam poupado algumas vidas para além das 47 que morreram na EN236-1.

O mesmíssimo raciocínio se deve aplicar ao controlo das vias terrestres durante a tarde de Sábado. Quando o Comando Geral da GNR, refere que 
  • Não havia, ao final da tarde/início da noite de sábado, “qualquer indicador ou informação que apontasse para a existência de risco potencial ou efectivo em seguir por esta estrada (EN 236-1) em qualquer dos sentidos”. Além disso, a GNR fala em “dificuldades operacionais na missão de cortar a EN 236-1”, pois são múltiplos os pontos de acesso.
  • “Foi num contexto de fenómeno invulgar que terão ocorrido os fatídicos acontecimentos da EN 236-1, uma vez que o fogo terá atingido esta estrada de forma totalmente inesperada, inusitada e assustadoramente repentina, surpreendendo todos”, lê-se no esclarecimento que foi enviado para o Governo a pedido do próprio primeiro-ministro."
É preciso também raciocinar e incluir aquela entidade- INPC - na equação. Competindo-lhe proteger as pessoas e bens era obrigatório avaliar no momento o risco de circulação naquelas estradas quase florestais, naquelas circunstâncias meteorológicas  e já com um incêndio a lavrar que não conseguiram controlar nas primeiras horas ( e seria importante saber porquê).  Se as condições meteorológicas eram excepcionais também deveriam sê-lo as medidas tomadas e a tomar. Ora não o foram de todo e o resultado está à vista.

Não há desculpa civil para erros deste tamanho. A Autoridade que devia proteger os cidadãos pouco ou nada fez para tal, uma vez que aquilo que fez se resumiu, segundo tudo indica, ao trivial e burocrático e a que eventualmente estão habituados em incêndios naquela zona.

No Sábado não foi apenas um incêndio que ocorreu: foi um incêndio demoníaco provocado por condições climatéricas infernais. Que fez a  ANPC para combater este Mal? Parece que confiou nos procedimentos de rotina...

Para avaliar correctamente o que aconteceu e estabelecer parâmetros de responsabilidade criminal ( a política já é absoluta e vergonhosa mas ninguém assume nada de nada) importa indagar factos e mais factos e recolher os mesmos no terreno, literalmente. Daí a importância daquela actuação do MºPº que desta vez não se senta apenas na burocracia do delegar nas polícias a incumbência da investigação.

A mim parece-me essencial perguntar a quem viu, na tarde de Sábado, o que se passou no terreno, entre as 14 horas e as 21horas, pelo menos e atendendo a esse período mais mortífero do incêndio.

Ora quem é que viu melhor o que se passou entre as 17:00 e as 20:00? Quem andava no ar, literalmente e quem observou de postos de vigia adequados a propagação do lume, das chamas e do vento que as acompanhava e a extensão que percorriam.

E quem viu reportou a alguém da ANPC ou do Comando Geral da GNR ou do cabo que estava na patrulha da BT?

E se reportou que fizeram essas pessoas?

Se ninguém viu, ninguém reportou e ninguém actuou a conclusão é lógica: para que servem?

Mais uma argolada da desprotecção civil

Observador:

Bombeiros de alertaram esta quinta-feira para assaltos em casas em aldeias evacuadas durante os incêndios e também para assaltantes que se fazem passar por técnicos da Segurança Social.

Tal como refere o entrevistado do Público, agora vai passar para a fase do 80. Se dantes não se cortavam estradas a eito agora vai sê-lo e à força. Se dantes não se evacuavam aldeias mesmo as que estavam em risco iminente ( perantes as condições meteorológicas extremamente adversas e propícias a incêndios mortíferos, como aconteceu) agora vai evacuar-se tudo e mais alguma coisa ao mínimo sinal de alerta.
Já se começam a ver os efeitos de mais esta medida jacobina: primeiro evacuaram sem critério ou preceito, só porque agora era assim e nem se deixavam as pessoas trazerem pertences básicos ( uma idosa queixava-se que nem lhe deixaram ir buscar o telemóvel para telefonar à filha...).
 Depois, acontecem estas coisas e essa gente lava as mãos...afinal fizeram o que lhes mandaram fazer.

E quem mandou? Os mesmos que antes não mandaram e agora querem mostrar que mandam. Ai, dona Constança, dona Constança! Que tristeza...de falta de senso básico. O tininho! O tininho faz muita falta...

Um requisitório eloquente para envergonhar a oligarquia burocrática da desprotecção civil

 24Sapo:

Tiago Magro estava com a família em Vale da Nogueira, Figueiró dos Vinhos, no passado sábado, 17 de Junho. Em cinco minutos tudo mudou, o fogo estava a 100 metros de casa. Estão bem, estão todos bem. Só quando chegaram a Lisboa perceberam que tinham atravessado a fatídica estrada N236 até entrar no IC8. "Por certo por uma questão de minutos", desabafa. Este é o seu relato, na primeira pessoa.
"Agora que já se passaram alguns dias, que as ideias na minha cabeça estão mais claras, e que tive tempo para as passar para palavras, eu que sou um dos muitos engenheiros florestais que nunca tiveram oportunidade de exercer a sua profissão neste País, faço um pequeno relato sobre aquele que foi o maior susto da minha vida, sobre a forma como vivi este dia trágico, e algumas considerações pessoais.
No passado sábado estava com a minha família (a minha mulher Inês, os nossos filhos e os pais e avós da Inês) no lugar de Vale da Nogueira, Vila Facaia, Figueiró dos Vinhos quando, após uma bela sardinhada à hora de almoço, começámos a ver uma coluna de fumo lá bem ao longe (infelizmente, nada de muito estranho para aquelas bandas, basta começar o calor).
A tarde foi correndo sem que nada de anormal se passasse e decidimos ir dar uns mergulhos à praia fluvial do Mosteiro (a cerca de 7 km de casa, em direcção à tal coluna de fumo - que ainda assim se mantinha bem longe), e aí estivemos até cerca das 18h20.
O céu foi ficando carregado com um misto de nuvens e fumo mas, tal como nós, as dezenas de pessoas que ali se divertiam estavam longe de imaginar o que aí vinha, até porque ao longo de toda a tarde não se vira, nem ouvira, um qualquer carro dos bombeiros, jipe da protecção civil, ou da GNR a passar por ali.
Por volta das 19h30, quando já tínhamos a mesa no terraço posta, e estávamos a fazer os grelhados para o jantar, e a nossa maior preocupação eram umas gotas de chuva que caiam do céu e ameaçavam estragar o jantar (a descrição serve apenas para mostrar o nível de alarme que não existia), faltou a luz e começámos a ver que o fumo era cada vez mais denso.
Entretanto enquanto eu e a minha filha Leonor, de 5 anos, fomos até ao cimo da rua e voltámos (cerca de 5 ou 10 minutos), a Inês e os meus sogros decidiram que o melhor seria tirar os miúdos dali porque, sem luz e com aquele fumo no ar, as crianças, principalmente o José de 4 meses, não estavam lá bem. E a Inês começou a arrumar as nossas coisas à pressa...
Quando eu regressei e a Inês me disse que achava melhor irmos embora por causa do fumo, estivemos não mais de 5 minutos em casa a decidir quem ia e para onde, e a acabar de arrumar as coisas, até que abri a porta da rua para começar a colocar as coisas no carro, e ai o cenário tinha-se alterado dramaticamente… Desde um vento ciclónico, até um barulho ensurdecedor, passando por uma chuva de coisas a arder e a cair à porta de casa, e por termos o fogo a cerca de 100 metros, tudo fazia lembrar um filme de terror.
Naquele momento, a questão deixou de ser apenas o "devíamos tirar as crianças daqui" para o “temos de sair todos e já”... 
Felizmente, conseguimos sair com os vários carros e toda a gente, passando pela estrada que eu tinha subido a pé 15 minutos antes, mas que agora tinha fogo de um lado e do outro, e chegar à vila.
Daí, e já depois de nos perdermos uns dos outros, seguimos pelo caminho que nos pareceu melhor rumo a um local seguro, mais uma vez refiro, isto tudo sem NUNCA, em nenhuma altura do dia, vermos um carro dos bombeiros, da protecção civil ou da GNR.
Agora, olhando para o mapa, e ouvindo as notícias dos 47 mortos na estrada que liga Figueiró dos Vinhos a Castanheira de Pera, vejo que o percurso que fizemos foi precisamente o de apanhar a fatídica estrada N236 até entrar no IC8... Felizmente no local/hora em que passámos não havia mais do que fumo no caminho (").
Entretanto, já a caminho de Lisboa, conseguimos finalmente estabelecer contacto telefónico com o meu sogro que estava no outro carro, mas que por ter dado umas voltas na vila, a tentar passar por outro lado, e a ajudar umas pessoas que estavam feridas, já não conseguiu passar por onde nós viemos e ficou retido a meio caminho, num lugar ali perto, com os pais dele, onde ficaram até à chegada dos primeiros bombeiros já depois da meia-noite, e até cerca das 04h00 da manhã, quando tiveram autorização para ir a casa ver o estado em que tudo tinha ficado e vir para Lisboa.
A casa dos avós da Inês, como é toda em cimento salvou-se, "apenas" ardeu toda a envolvente à casa, incluindo o palheiro e a zona dos animais. Já a casa dos tios do meu sogro, pegada parede com parede com a nossa, mas infelizmente feita com vigas e chão em madeira, não resistiu ao fogo e ardeu por completo.
Para ser sincero, só quando estávamos a caminho de Lisboa e ao passar por, seguramente, mais de 30 carros dos bombeiros, mas principalmente quando chegámos a casa por volta da 01h00 da manhã, e nos pusemos a ver as notícias é que nos apercebemos da real dimensão da catástrofe que tínhamos presenciado.
Mas há coisas que me custam a aceitar...
Não acho admissível que os mais altos representantes do país e responsáveis pela proteção civil, venham falar em "fatalidade", dando a entender que não havia nada a fazer, que foi a vontade de Deus.
Não posso aceitar que nos vendam que não há alternativa a vivermos estas situações ano após ano, e logo da boca de alguns dos maiores responsáveis por isto acontecer!
Estes fogos acontecem por causa da desertificação do mundo rural, resultado das políticas que estes senhores seguiram ao longo dos anos.
Estes fogos acontecem porque não existe ordenamento do território.
Estes fogos acontecem porque não existe vontade política em valorizar o 1/3 do território português que é área florestal.
Estes fogos acontecem porque para um pequeno proprietário em Portugal a única forma de tirar algum rendimento do seu terreno é plantando eucalipto.
Estes fogos acontecem porque mais de metade da floresta daquela zona do país é monocultura de eucalipto.
Estes fogos acontecem porque já não existem guardas florestais.
Estes fogos acontecem porque não existe uma política de prevenção de fogos em Portugal.
Estes fogos acontecem porque, aqueles que agora apelam a que se contribua para as corporações de bombeiros, são os responsáveis pelo seu subfinanciamento ao longo dos anos.
Por último não posso deixar de dizer que não acho admissível que se diga que nada naquele dia falhou, é óbvio que alguma coisa falhou e falhou estrondosamente.
Como é que após morrerem 47 pessoas carbonizadas numa estrada deste país a protecção civil diz que nada falhou?
Como é que não foi dado o alerta para que as pessoas saíssem das zonas de perigo atempadamente?
Como é que as estradas não foram cortadas atempadamente?
Como é que quem tinha acesso aos dados meteorológicos que indicavam temperaturas superiores a 40 graus, com trovoada seca, e ventos fortes, e sabendo como o terreno e atmosfera estavam secos, não imaginou que poderiam haver incêndios graves neste dia/zona do país?
Eu que estava de fim de semana, sem ver TV nem ouvir notícias, mas sou engenheiro florestal (embora ao fim de tantos anos, às vezes já nem me lembre disso) podia e se calhar devia, ter-me lembrado disso, mas não é suposto haver uma entidade responsável por manter as populações em segurança?
Porque razão é que, quando se percebeu que o fogo estava descontrolado, não se começou a alertar as pessoas para se retirarem?
Preferia mil vezes estar agora a escrever sobre a forma como me tinham estragado a tarde de praia (fluvial) do que estar com este nó no estômago desde esse fatídico dia…
Tiago José Magro, um Eng. Florestal que nunca exerceu esta profissão, talvez por viver num País que não precisa de ordenamento florestal…"

Do Público de hoje, esta entrevista a alguém que percebe de fogos florestais. O que o mesmo diz não é diverso do que se tem escrito por aqui, uma vez que me parece o senso comum que só não é entendido pelos burocratas da desprotecção civil  e os papagaios da versão pró-governamental que apenas procura sacudir a água de um capote encharcado.




A revista Visão conta uma pequena história de uma sobrevivente da EN236-1 que explica de modo prosaico o que sucedeu: "Nesse fim de dia", o que condiz com outros testemunhos acerca da hora a que tudo se consumou, portanto, depois das 19:00 e do corte do IC8, duas pessoas de Nodeirinho, mãe e filha decidiram sair dali e meteram pela EN236-1,dirigindo-se a Castanheira de Pera. Dizem que não havia fogo  e de repente, durante o percurso que dura dez minutos, entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, sentiram o carro a abanar e ventos muito fortes. Pensaram em voltar para trás mas não o fizeram. Dizem agora que se o tivessem feito estariam mortas. Quem vinha atrás não teve a mesma sorte e terão sido as últimas pessoas a passar ali, naqueles momentos,  escapando ao fogo assassino.



Vendo a imagem do Google maps que a Visão publica, não se percebe se tomaram o IC8 e desviaram para a EN236-1 ou se entraram directamente nesta vindas por caminhos desde a aldeia onde estavam. A revista podia ter perguntado...mas tudo indica que não.


Entretanto, também da Visão, mais uma achega para mostrar a incompreensão de alguém que é ministra e não percebe ter chegado ao patamar mais elevado do princípio de Peter: "leitura da situação" dos fogos com um mapa em papel...diz o autarca de Mação que teve pena da tal ministra. E é de ter...